Terça-feira, Outubro 12, 2010

Tropa de Choque 1994 - Klebs Jr.


Tropa de Choque 1994, Klebs Jr. é o responsável pelo roteiro e o desenho enquanto a cor fica por conta de Hermes Tadeu. A mini-série em duas edições de 32 páginas aborda um gênero pouco explorado na ficção brasileira: a história alternativa. A trama toma como ponto de partida o Golpe Militar de 1964 para criar uma linha temporal divergente, na qual a crise institucional também teve como conseqüência o surgimento de uma equipe de paranormais.


A mini-serie indaga o que aconteceria ao Brasil se o presidente da república João Goulart tivesse resistido à ação dos militares. O resultado, segundo Klebs, seria uma nação cindida pela guerra civil. De um lado, os Federais, um exército fascista que controla um Estado tirânico, e do outro os Legalistas, que promovem atentados às instituições estatais, clamando por democracia. O elemento fantástico entra em cena quando vários jovens, alterados pelo rescaldo de uma guerra química, adquirem superpoderes e passam a lutar ao lado das forças democráticas sob o nome de Tropa de Choque. Com sua narrativa, o autor procurou traçar uma alegoria da falta de patriotismo e de senso cívico, que assola o Brasil, centrando fogo no vazio ético das estruturas de governo.

                       

O Brasil, numa realidade bem diferente.

O Brasil está mergulhando numa guerra que já dura 3 décadas. Os Federais, um exército fascista que governa o páis com mão de ferro, têm como principais adversários, os Legalistas, um grupo que ataca instituições estatais e exige democracia. Essa realidade alternativa, completamente diferente da que vivemos, serve como cenário para Tropa de Choque 1994, minissérie nacional em duas partes.

Nessa "versão" do Brasil, o governo João Goulart resistiu ao golpe militar de 1964, iniciando um conflito, aparentemente, sem fim. Com a guerra, o País tornou-se uma potência militar, mas, politicamente, fragmentada. Em 1973, uma bomba química experimental foi usada num ataque e mais de meio milhão de pessoas morreu. A  conseqüência foi uma onda de doenças genéticas e infertilidade que atingiu os sobreviventes. Mas não foi só isso! Nos anos seguintes, cerca de 50 crianças nascem com estranhas habilidades paranormais. Vinte anos apóe a explosão, o Coronel Samuel Pillegi cria um grupo de elite da Aeronáutica, com o objetivo de executar missões suicidas. Nascia assim a Tropa de Choque, formada por 8 jovens paranormais.

A equipe é formada sem "bairrismos" e possui representants de vários estados: Guari, um índio Wairá com habilidades elétricas e líder natural do grupo; Cristina Menezes, uma paulista com controle absoluto sobre os feromônios do corpo e que pode causar qualquer tipo sensação nas pessoas; Teco Ferreira, um surfista carioca que tem premonições do futuro; Maria da Graça Von Büll, uma gaúcha telepata; Reginaldo "Reggae" Borin, um gigante mineiro de quase 3 metros de altura, extremamente forte e resistente; Zeverildo José Assunção, um paraibano que diz ser neto de Lampião e possui poderes telecinéticos; Gustavo Nunes, um matogrossense capaz de projetar calor e fogo; e Renata Oliveira da Silva, uma baiana com várias habilidades mentais e físicas.

Na minissérie, a Tropa de Choque mede forças com o Batalhão 66, um grupo de seres paranormais a serviços dos ditadores (ou você pensou que só os "mocinhos" tinham superpoderes?).
...Em determindo momento, aparece, numa televisão, a notícia de "um certo piloto de Fórmula 1" que escapou, por pouco, de um trágico acidente no circuito de Ímola.

Ao final da leitura, porém, pinta a dúvida: Por que a história se passa em 1994, e não em 200?

Autor: Sidney Gusman
Título do artigo: O Brasil, numa realidade bem diferente.
Título da Revista: Sci-Fi NEWS
Edição: 34
Ano: 4
Número: 3
Páginas: 46
Data: Outubro de 2000
Site: www.scifinews.com.br