quinta-feira, dezembro 15, 2011

Sangue alvinegro - J. Marcos B.



19:00 Começo da jornada de trabalho de 12 horas.

"É estranho a rua silenciosa assim nos fins de semanas! Isso aqui dia de semana é um verdadeiro inferno de tanto carros e pessoas passando aqui, dia de Domingo e feriados da até aflição ver esse imenso vázio! Estranho essa sensação! Dá um frio na alma! Doze horas de trabalho isso é quase desumano, isso deveria ser proibido por lei! Ainda bem que o meu filho quer ser jogador de futebol quando crescer.”

- Eae trouxe o café?
- Claro. Tá aqui.
- Opa! Beleza.
- Acha que vamos ficar sem café, logo hoje dia de classico?

Os vigilantes bancarios ligam o radinho de pilha. O ambiente é silêncioso, espaçoso, suas vozes ecoam pelo o salão principal e corredores do Banco, só os dois alí, a ansiedade pelo o começo da partida é normal, regados a café e cigarros ambos se acomodam em suas cadeiras pegam seus cafés e acendem seus cigarros.

Locultor - Começa a peleja entre Santos e Corinthians o jogo se desenvolve no gramado... Um classico paulista senhoras e senhores nesse fim de tarde de Domingo. Com certeza essa vai ser uma disputa inesquecível...

- Esse café que a tua mulher faz é muito bom.
- É eu também acho. Sabe? Sem aquela nega eu não sou nada cara!
- Imagino.
- Ela não é só mulher, ela é mulher e companheira, mesmo.

Locultor - Todos apostos, vai começar o primeiro tempo no pacaembu...

"Sim todos apostos, café, maço de cigarros, cinceiros, bandeirinhas, torcedores, juiz... Sim todos apostos, sim. cai a noite na cidade e daqui a 95 minutos vamos saber quem foi o vencedor de mais uma disputa entre Santos e Corinthians."

- Espero que o juiz não meta a mão no "peixe" denovo.
- Qui nada. Quando o jogo foi aqui em baixo o juiz meteu a mão na gente só por isso foi zero a zero.
- É. Só que hoje não tem zero a zero não, se tiver vai prus penaltes.

Locultor - Apita o começo do jogo... Rola a bola no gramado...

"Apos degustarem um café bem quentinho e gostoso ambos acendem seus respectivos cigarros ao mesmo tempo em uma perfeita sincronia como em um show, como que tivessem emsaiado antes ou mesmo bem combinado. Ninguém falar, o silêncio só é quebrado pela a voz do locultor que narra a disputa, dá pra se escultar o fumo do cigarro queimando a cada tragada pelas as bocas e pulmões anciosos desse dois torcedores anonimos, de tanto que é o silêncio. Nada se meche apenas a fumaça que saem dos cigarros ardendo em chamas fazendo piruetas no ar. Da pra se escultar os corações palpitando de ambos.

Locultor - A disputa é acirrada, ambas as torcidas em campo, nas arquibancadas precionam seus times... Poucos minutos do primeiro tempo... chuta de fora da area uma bola no ângulo, é Gooooool do... Não valeu tá dizendo o juiz, o juiz tá dizendo que, que a bola não entrou... Metade da arquibancada aqui grita gol assim como eu, mas o juiz e os bandeirinhas não viram a bola entrar! E não da o gol para..."

- Pronto começou a robalheira! Não tem time do mundo que consiga ganhar assim.
- Eu que o diga porque aqui embaixo nós se ferramos.
- Meu amigo o Santos é time pra ganha de qualquer time aqui ou fora do Brasil, mas contra o juiz fica díficil...

Locultor - Parte o time inteiro do Santos pra cima do juiz e dos bandeirinhas, o técnico do Santos está enloquecido... Começa a confusão... Empurra empurra, xingamentos...

"Mas o que o locultor do campo não ver e portanto não pode narra é o saque de dois revolver do coldre ao mesmo tempo e um barulho estrondoso rompendo o silêncio viceral dentro do banco. Ambos sacarram ao mesmo tempo como um duelo de filme de velho oeste, mas não teve o mais rápido, ambos acertaram seus alvos. Ambos estão caidos, enquando o sangue escorre pelo chão de mármore carrará, emcima da mesa além dos maços de cigarros e a garrafa de café o rádio continua a sua narração."

Locultor - Ainda bem que acalmaram se os animos por aqui. O goleiro bate o tiro de meta e recomeça o jogo no estádio... O jogo promete, é esse é só o começo do primeiro tempo meus amigos. Ainda tem muito chão pela frente. Esse campeonato promete, mas promete mesmo quem viver verá.

“Meu Deus o que eu fiz? O que fizemos? Minha mulher, nega. Meus filhos, meu Deus meus filhos, e agora o que será deles?...”

“Meu Deus o que eu fiz? Como pude deixar isso acontecer? Meu Deus me ajuda senhor perdemos a cabeça...”

Dia seguinte...

Caderno policial: Vigilantes de banco se matam enquanto ouviam Santos e Corinthians deixando viúvas e filhos orfãos para trás...


Esse conto foi inscrito no Mapa cultural paulista de 2011.